Nem uma, nem outra. Se remontarmos a época da civilização helênica, também dita grega, veremos na sua mitologia que a poesia, ou gênero lírico ou apenas lírica, não só era considerada uma das artes divinais como lhe era atribuída inclusive uma das ninfas. O que dava ao poeta um status diferenciado entre os gregos.
Na Grécia antiga a poesia foi a forma predominante de literatura. Os três gêneros (lírico, dramático e épico) eram escritos em forma de poesia. A narrativa, entretanto, foi tomando importância, ficando a poesia mais relacionada com o gênero lírico. Ainda hoje é feita esta associação entre poema, sentimentos e rimas, o que não deixa de ser coerente, embora não obrigatória.
A poesia tinha uma forma fixa: seus versos eram metrificados, isto é, observavam os acentos, a contagem silábica, o ritmo e as rimas. A contagem silábica dos versos foi sempre muito valorizada até ao início do século XX quando a obra que não se encaixasse nas normas de metrificação não era considerada poesia. Isto mudou com a influência do Modernismo- movimento cultural, surgido na Europa que buscava ruptura com o classicismo. Atualmente o ritmo dos versos foi liberado e temos os chamados “versos livres” que não seguem nenhuma métrica. Estes últimos tomaram diferentes formas atualmente, indo da poesia concreta ao abstratismo.
O Poema é uma obra literária apresentada geralmente em verso e estrofes(ainda que possa existir prosa poética, assim designada pelo uso de temas específicos e de figuras de estilo próprias da poesia). Efetivamente, existe uma diferença entre poesia e poema. Este último, segundo vários autores, é uma obra em verso com características poéticas. Ou seja, enquanto o poema é um objeto literário com existência material concreta, a poesia tem um carácter imaterial e transcendente, quase como dizia acima – divinal.
Fortemente relacionado com a música, a poesia tem suas raízes históricas nas letras de acompanhamento de peças musicais (trovadores e menestréis). Até a Idade Média, era literalmente cantada. Só depois o texto foi separado do acompanhamento musical. Tal como na música, o ritmo tem uma importância fulcral, mesmo em versos livres ou brancos, embora às vezes assíncronos.
O sentido da mensagem poética também pode ser importante (principalmente se o poema for em louvor de algo ou alguém, ou o contrário: também existe poesia satírica), ainda que seja a forma estética a definir um texto como poético.
A poesia, no seu sentido mais restrito, parte da linguagem verbal e, através de uma atitude criativa, transfigura-a da sua forma mais corrente e usual (a prosa), ao usar determinados recursos formais. Em termos gerais, a poesia é predominantemente oral – mesmo quando aparece escrita, a oralidade aparece sempre como referência quase obrigatória, aproximando muitas vezes esta arte da música. Não raro grandes músicos também foram grande poetas, sendo a recíproca também verdadeira.
Os gêneros de poesia permitem uma classificação dos poemas conforme suas características. Por exemplo, o poema épico é, geralmente, narrativo, de longa extensão, grandiloqüente, aborda temas como a guerra ou outras situações extremas. Dentro do genéro épico, destaca-se a epopéia. Já o poema lírico pode ser muito curto, podendo querer apenas retratar um momento, um flash da vida, um instante emocional. Poesia é a expressão um sentimento, como por exemplo o amor.
Definição sucinta de poesia: é a arte de exprimir sentimentos por meio da palavra ritmada. Essa definição torna-se insuficiente quando se volta o olhar para a poesia social, a política ou a metapoesia. Com o advento da poesia concreta, o próprio ritmo da palavra foi anulado como definição de poesia, valorizando mais o sentido. O poema passa a ter função de exprimir sucintamente e entre linhas o pensamento do eu-lírico. A narrativa também pode fazer isso, mas a maioria dos poemas, com exceção dos épicos, não se baseia num enredo. A mensagem do autor é muito mais importante do que a compreensão de algum fato.
A poesia pode fazer uso da chamada licença poética, que é a permissão para extrapolar o uso da norma culta da língua, tomando a liberdade necessária para recorrer a recursos como o uso de palavras de baixo-calão, desvios da norma ortográfica que se aproximam mais da linguagem falada ou a utilização de figuras de estilo como a hipérbole ou outras que assumem o carácter “fingidor” da poesia, de acordo com a conhecida fórmula de Fernando Pessoa (“O poeta é um fingidor”).
A matéria-prima do poeta é a palavra e, assim como o escultor extrai a forma de um bloco, o escritor tem toda a liberdade para manipular as palavras, mesmo que isso implique romper com as normas tradicionais da gramática. Limitar a poética às tradições de uma língua é não reconhecer, também, a volatilidade da fala.
Após, você ter lido o exposto, que conclusão tira? Poesia – arte ou sub-arte? literatura ou sub-literatura? estilo literário ou “blá, blá, blá…”? (eu particularmente voto nas primeiras alternativas, por motivos óbvios ou seriam pessoais?)
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Caro Amigo,
sinto-me da mesma forma entediada ao me deparar com esta onda crescente de inconsistência poética. Creio que até o fato de citar a literatura já é engrandecer demais tais textos sórdidos. É como o nosso amigo Daniel comentou: Poesia de pelúcia, que apenas degrada o sentido nobre da Poesia em sua forma justa. Gostei do seu texto e achei muito crítico, completo e claro. Obrigada pela sua contribuição. É bom saber que na internet ainda encontramos seres pensantes.
Um grande abraço!
Comentário por Kaci — Domingo, 23 de Novembro de 2008 @ 23:49 |
Kaci, são comentários claros e consistentes como o seu que me animam a continuar, pq o q tem de blogs pseudo poéticos pela net,,, não tem conta. abraço poético.
Comentário por Thelmo Mattos — Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009 @ 18:04 |
O que vejo hoje e que me preocupa assazmente, é auto-ajuda, travestida de poesia.
É muito, muito, muito, chato.
Uma poesia que mais parece um discurso de autocomiseração.
E muito frequentemente acaba, com um beijo no coração.
O mundo está uma vertigem, e um número muito grande de pessoas estão se ocupando de poesias de “pelúcia”.
Esta é a Era dos poetas de pelúcia e de poesias sentimentalóides.
Conclusão: a poesia hoje, parece sub-literatura, porque muitos que desejam realizá-la, a tratam, equivocadamente, como uma gênero menor. Escrevem qualquer bobagem sentimental e pensa estar fazendo poesia.
Há!
Comentário por Y.N. Daniel — Domingo, 24 de Agosto de 2008 @ 18:36 |
http://prosaepoesia.wordpress.com/
[ O Poema Nosso de Cada Dia ]
http://docedefel.wordpress.com/
[ Doce de Fel ]
São esses todos aí.
Grande abraço, POETA!!
Comentário por Rita Costa & André L. Soares — Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008 @ 19:55 |
http://gritosverticaisdanaturezapoetica.blogspot.com/
[ Raiz de Cem ]
http://sonsdesonetos.blogspot.com/
[ Sons de Sonetos ]
Comentário por Rita Costa & André L. Soares — Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008 @ 19:54 |
Estou mesmo ficando velho. Esqueci de deixar os links, para você analisar e dizer se quer fazer as parcerias:
http://poemasdeandreluis.blogspot.com/
[ Gritos Verticais - que é o meu blog principal]
http://poeticaheretica.blogspot.com/
[ Poética Herética ]
Comentário por Rita Costa & André L. Soares — Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008 @ 19:54 |
Amigo, boa noite!
Vim agradecer sua visita aos gritos verticais. Também gostei muito do seu espaço poético aqui.
Esse ‘post’ sobre a poesia está ótimo. Costumo dizer que a poesia, em sua forma pura, é a tentativa humana de expressar alguma coisa, do modo menos hipócrita e mais prazeroso possível. Mas isso é tema pra muito debate.
Gostaria de unir nossos blogs em uma parceria, fortalecendo o enlace dos que tentam fazer a poesia ganhar maior destaque no mundo virtual.
Grande abraço!
André L. Soares.
direitos.autorais2006@gmail.com
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Comentário por Rita Costa & André L. Soares — Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008 @ 19:52 |
Thelmo
Sou escritora e autora de livros, gênero, poesia, gostaria de poder entender melhor se você é contra ou a favor da mesma quando diz: Poesia – arte ou sub-arte? literatura ou sub-literatura?
É a primeira vez que vejo algo assim.
Gostaria que fosse mais claro.
Silvia
Comentário por Silvia — Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008 @ 18:41 |