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sexta-feira, 11 \11\UTC julho \11\UTC 2008

LITERATURA LÍRICA LUSÓFONA EM SITUAÇÃO PRECÁRIA


alertam autores no Festival de Poesia de Berlim

Berlim, 11 Jul (Lusa) – A situação da lírica nos países de língua portuguesa é pouco lisonjeira quanto à divulgação, embora as realidades sejam diferentes, referiram vários autores num debate no Festival de Poesia de Berlim, este ano com enfoque lusófono.

A situação da poesia pós-colonial em Moçambique, por exemplo, “não se pode dissociar da situação da leitura no país, que tinha 70 por cento de analfabetos aquando da independência”, sublinhou Armando Artur, poeta e vice-presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

Para o autor moçambicano, se o objetivo é dar mais espaço à poesia, “poder-se-iam criar, por exemplo, mecanismos concretos para divulgar mais os autores africanos no interior da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), até agora uma entidade quase teórica”.

No Brasil, apesar da imensidão do país, da profusão de autores e dos avanços tecnológicos, a poesia já viveu melhores dias, afirmou, por seu turno, o autor brasileiro Paulo Henriques Britto, no debate que decorreu na quinta-feira à noite na Academia das Artes de Berlim.

“Há uma grande pluralidade de obras poéticas, que já não se podem associar apenas a esta ou àquela corrente, mas o público praticamente desapareceu, é um mundo fechado”, explicou o consagrado poeta brasileiro, que é também professor de literatura no Rio de Janeiro.

Já a portuguesa Ana Luísa Amaral preferiu frisar a importância da poesia “como antídoto à flutuação das imagens e reduto de justeza”, lamentando, simultaneamente, “a falta de vontade” política para apoiar a produção lusófona.

Mesmo assim, a poetisa portuguesa reconheceu o papel meritório que a Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB) tem tido na divulgação de autores lusófonos.

A responsável pela Direção de Serviços do Livro da DGLB, Maria Carlos Loureiro, lembrou que os programas de apoio a autores de língua portuguesa facultam a publicação de 50 obras por ano no Brasil, “sem distinção de nacionalidades”.

O debate, moderado pelo ex-director do Instituto Goethe de Lisboa, Kurt Scharf, “aqueceu” um pouco mais quando os poetas lusófonos presentes foram convidados a pronunciar-se sobre o Acordo Ortográfico.

Tony Tcheka disse estar “100 por cento a favor” do Acordo, criticando a existência entre alguns intelectuais portugueses de “um sentimento de posse” da língua que considerou “absolutamente despropositado”.

O poeta e jornalista guineense fez questão de sublinhar que os autores africanos lusófonos “também conquistaram a Língua Portuguesa”, e por isso são contra qualquer tentativa de “guardiões do templo” para se apoderarem dela.

Armando Artur secundou estas afirmações, acrescentando que, para os autores africanos, “a controvérsia em torno do acordo ortográfico “é irrelevante, porque há outras preocupações prioritárias”.

O acordo, no entanto, “tem a virtude de permitir que, mais tarde, quando houver uma revisão, sejam introduzidos mais termos africanos” no Português, disse ainda.

A portuguesa Ana Luísa Amaral, quase a terminar, fez questão de rejeitar qualquer tipo de proteccionismo da Língua Portuguesa ou de receios que o mercado português seja invadido por autores brasileiros em detrimento dos nacionais, por exemplo.

No entanto, pôs em dúvida a eficácia do principal objectivo do Acordo Ortográfico – aproximar a língua escrita da língua falada -, lembrando que o Inglês escrito “é muito diferente do Inglês falado”, mas a principal língua do mundo vem renunciando a uma reforma ortográfica desde o Século XVI.

FONTE: AGÊNCIA LUSA DE NOTÍCIA

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